16 outubro 2012






Amo, e tua ausência reclamo, dos maiores feitos, tornou-se imperfeito pela distância crua a qual me relegou; amo, e tua falta eu sinto, o mal pressinto a afastá-lo mais. Amo, como amam os filhos, em choro passivo e submisso até, amo o pó da terra estrangeira, que rejeitou detê-lo preso a seus umbrais; amo o majestoso emblema, da humildade em cena, eis que o grande mestre, de joelhos, esmaga os escaravelhos junto aos serviçais, erguendo-se em braçada ousada, e unificada aos seres que reconhece, inda que nas diferenças, como seus iguais. Amo sua apoteose, inda que a metamorfose tenha me enlaçado à dor, amo em choro incontido àquele que edificou a morada do único SENHOR. Ai de quem te espera e enterra, por vezes seguidas a expectativa do último abraço que não aconteceu, ai de quem recolhe os restos de quem não é menos sacro porque feneceu. Ai de quem descortina a morte, e vislumbra o resultado da sorte humana, ai de mim testada a ferro e fogo, vagando na eternidade como um sopro, reles sopro de quem ainda te ama!

Flávia Neves.

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