31 outubro 2013

"Fazer pelos outros o que gostaria que fizessem por vc não garante que a pessoa retribuirá, mas afiança, com efeito, que há um Poder Maior que observando seus feitos, erguer-se-á, quando e onde, em sua defesa!"

"A noite, quando bem recepcionada em nada assusta, só inspira; que assim percebamos os momentos obscuros de nossa passagem terrena, e melhor proveito tiraremos enquanto o alvorecer imprescindível e pontual à realização das aspirações, não desponta!"
"Que as sombras desapareçam, e o calor da exaltação de ações passionais sejam amenizadas, transmutadas com nosso vínculo à natureza, em serenidade, harmonia e compreensão. Descansemos nossos ais no colo do Criador, que em Terra se faz representada por cada átomo de vida existente!"



30 outubro 2013

A lição de Ione




Debaixo dos Caracóis

Capítulo II

-Vou te contar, Aurora...A gente não deve desejar mal pros outros, principalmente pra uma mão que já foi estendida procê um dia!
-Verdade, Virgínia!
-Eu tô vendo ali, ó, a filha de Antônio Luiz e Marilene, sentada no boteco do Nhônhô.
-Umas moça bonita, bebendo que nem homem, com as caras amaçadas, se oferecendo. No nosso tempo moça de família não passava creon assim nos olhos nem entrava em botequim , Virgínia!
-Ia mesmo não, Aurora! E, no nosso tempo, sobrinha pedia bênça a tio, mesmo que o tio tivesse idade pra ser filho das sobrinhas! Hoje em dia, mãe não educa, os pais não estão nem aí, e crescem as gerações misturadas sem saber quem deve pelo menos respeito, a quem.
-O que que ela fez?
-Uai, Sá. Ela, e os outros primos, foram criados...Quer saber Aurora, doa a quem doer, a maioria já tá morta que nem nós duas mesmo, e erro todo mundo comete, mas na casa de Almiro e Marialva esses meninos foram criados solto que nem animal no terreiro, numa cachorrada de filho misturado com neto, tios e sobrinhos, primos e primas, tuuuudo regulando idade, e num banzé tão grande que só podia dar no que deu! Uma patifaria atrás da outra!
-Mas lá em casa a gente também foi criada junto...
-A gente nada! Imagina se uma de nós fosse bisbilhotar vida de tio, a chamada debaixo de vara de marmelo que levaria! Nesse lugar não! Era uma algazarra tão grande que adoeceram Marialva, e ainda berram e sapateiam jurando que foi macumba que entrevou a mente da mãe! Macumba naaaada! Resguardo de quatorze filhos, quebrados, panela pra arear, lenha e água pra buscar, comida pra fazer, roupa pra bater nas beiras dos corgos, e, casa cheia fim de semana quer fosse de filho, genro, nora, netaiada esparramada e mais comida pra fazer, cama pra estender, biscoito de polvilho pra assar, enquanto a pinga e o baralho rolavam soltos. E essazinha aí, Ione, era ainda pequena, mas já tinha umas primas muito estúpidas, brutas, um bando de mulher metida a tomba-homem, que vigiava os tios e os primos igual oi pior que cadelas no cio! Tanto que uma namorou mais de dez anos com um rapaz bom, mas bom, sem defeito, coitado, e terminou o namoro abrindo as pernas pro primo dentro da casa da tia, com o namorado sentado na varanda do lado de fora da casa!
-Ah, crendospai! Ocê tá brincando!
-Foi um bafafá, Aurora! Terminou o namoro com o moço, já de caso com o primo, e em pouco tempo a barriga estufou!
-Ôh Senhor!
-E pra tapar a putaria dela com o primo, com quem foi criada como se fossem irmãos, essa Maria, neta de Marialva, encrespou com o namoro do tio, Juliano, que estava começando namoro com Didizinha, mas fez uma esparrela, aprontou cada uma...
-Esse namoro, esse namoro, Virgínia! Didizinha arranjou dor de cabeça pra ela e pra gente!
-Didizinha foi muito ingênua se misturando com a família do pai dela!
-Tinha perdido a mãe. A gente tem se de por no lugar dela...Ela se sentiu sozinha, sem irmãos, sem pai nem mãe vivos!
-Solidão agora é desculpa pra burrice e desobediência? A nossa sobrinha, mãe dela, criou ela sem rodeios. "Não queira mal, trate bem, mas eles lá e ocê mais além!" Ela não deveria ter pisado na casa de Almiro nunca! Bem teria ficado ela pra cá, o rapaz, que hoje é marido dela, ficaria muito bem pra lá também, e a vida de todos dois talvez fosse melhor; mas, foi a vontade deles e de Deus, fazer o quê?!
-É. Se ajudar a gente não pode, atrapalhar muito menos!
-Pois então. Essa gente é ainda muito crua, muito ruim! Daqui do outro lado da vida, nós enxergamos...é gente que vem de uma existência arrastada em sofrimento, reencarnada para aprender como todo mundo, mas de aprendizagem lenta, eles não sabem nem diferença de bom e ruim, que dirá de bem e mal! Quem entra em estábulo é pra levar coice! Foi o que Didizinha levou! Os dois namorando e a língua chicoteando. Era melhor, pra eles, comentar da vida de Juliano e Didizinha do que de Renan e Maria. E tenho pra mim que esse Renan casou mesmo foi obrigado! Sisma minha!
-E Ione, o que tem com isso?
 -E a cabrita cretina dessa Ione junto; nem idade tinha, mas já punha as amiguinhas pra irritar Didizinha, se oferecendo pra ele! Juntou com a prima Maria, que passou a ser cunhada também, e era essa Maria de frente, e Ione pelas costas, a língua, chicote do corpo, descendo nos outros!
-Muito baixo. - As caretas de Aurora e Virgínia eram hilárias.
-Ó, se pensamento matasse, o despeito dessas biscas tinham enterrado Didizinha.
 -Ninguém é obrigado a gostar de ninguém não, Virgínia! Eles não gostavam de Didizinha e pronto; às vezes nossa sobrinha pode ter feito alguma coisa...
-Barganhou com o Diabo. Comprar amizade com presente é barganhar com o diabo! Quem muito agacha, o rêgo aparece! O erro de Didizinha foi esse! Deixa eu te contar o que aconteceu com essa Ione.
-Então conta.
 -"E ninguém, verdade seja dita, nem as irmãs nem as sobrinhas de Juliano queriam ele de namoro com Didizinha. O casal chegou a separar duas a três vezes, por causa de bagunça de parentes dele com Didizinha, e da última vez, pensei que Didizinha não queria reatar; se perguntarem a qualquer um dos dois como eles voltaram, cada um tem uma lembrança diferente, e Juliano não acredita que já tinha perdido Didizinha ali, desde então.
 Mas reataram, depois de meses separados.
 Uma mulher mal falada, rodada inclusive entre os sobrinhos de Juliano, apareceu grávida. Havia boatos abafados de que a criança era de Juliano . Ione ficou sabendo; e Ione contou pra mãe. Ah, Aurora, para as duas não teve nada melhor! Elas não viam a hora de Juliano descobrir! Confabulavam sobre a reação que Didizinha teria, já que estava com dificuldade de engravidar, e que iria fazer e acontecer, que os dois, por causa da criança, quando viesse à tona que era filho de Juliano, que eles não iriam ficar juntos, e nada contaram a nenhum dos parentes. Guardaram entre si a possibilidade de Juliano ter gerado um filho.
"Ione só ficou sabendo disso tudo por que namorava um moleque, vizinho da moça grávida. Ione, mal completara 18 anos, para mais de dois não era mais moça, e saiu da casa materna pra ir morar com esse rapaz, da idade dela.
 E o tempo foi passando. O namorado de Ione, ("marido", se viveu debaixo do mesmo teto é marido!) trabalhava num supermercado e cortava Ione no chifre, desde lá, atravessando estrada a fora até os meados da casa da mãe dele. E a trouxa aceitando e achando bonito "morar com um moleque sem vergonha!"
 Enquanto isso Didizinha e Juliano reatados, veio a gravidez de nossa sobrinha. No mesmo período que Didizinha engravidou, nascia, lá pras bandas dos Tropeiros a criança que Ione e a mãe sabiam que podia ser de Juliano.
-Me conta uma coisa; Juliano não sabia mesmo deste menino não?
-Sabia não, Sá!
-E Ione e Marilene...
-Marilene não contou pro irmão; mas por maldade, não para resguardar Juliano de nada. Esperava que a bomba explodisse para que o futuro de Juliano e Didizinha se desfizesse ante seus olhos. Ruindade mesmo, pura e simples! Tanto que Deus vendo aquilo que aos homens passa desapercebido, deu-lhe o pago!
-Hãm?!!
-Preferiram esperar sorrateiras o bote do destino. Só que o enredo da vida pertence a uma força maior!
No decurso dos quatro anos seguintes muito, com todos eles, aconteceu.
E um belo dia a mulher dos Tropeiros resolve telefonar a Juliano e contar que o filho de 04 anos era dele, cobrando exame de DNA ou iria à justiça. Didizinha apoiou Juliano, incentivou a fazer o exame e, conhecendo o menino, por ele teve estima. Há vários percalços entre Juliano e Didizinha, mas o filho que ele fez em época que estavam ambos separados, não foi nem é, estorvo.
-Por enquanto.
-O futuro cabe à educação que a inconsequente da mãe vir a dar para ele. Se adestrar o menino pra amolar a madrasta...quem sairá perdendo é o menino! Mas ocê não me deixou contar toda estória!
-Uai, conta!
-A melhor parte. Ione e a mãe não tramaram e se riram pensando no caos que a criança traria para Didizinha e Juliano?
-Sim, sim.
-Vai escutando! Houve separação de um casal por causa de uma criança. Mas não foram Didizinha e Juliano que separaram!
-Quem então?
-Pois não é que o namorado de Ione engravidou uma moça, mesmo morando com Ione?
-Ocê tá brincando?!
-Nãaao. Tô naaaãaao! Ione chegou em casa, "casa que ela pagava aluguel e sustentava para morar com esse moço", ele estava tirando as coisas dele, e simplesmente a abandonou Ione para ir viver com a moça que ele engravidou!
-Que virada!
-Marilene, que tanto mal desejou ao irmão e à cunhada, que além de cunhada era uma prima órfã, teve que engolir a seco o revertério da situação! Marilene teve, e tem, junto da filha, de passar pela humilhação e a ironia da cidade toda! Tudo que Marilene desejou à nossa sobrinha e sua mãe, mesmo morta, é ela quem passa! Já pensou? A cidade toda sabendo que Ione foi usada, abusada, ficou com a fama arruinada, largada e desde então, embora honesta e direita nos negócios, taxada Ione pelas noitadas de esbórnia e bebedeira já chegando aos 30 anos, frustrada, se sentindo mal amada e sem despertar sentimentos verdadeiros num homem. A única coisa que aguça é o instinto, e não amor. Tudo que desejavam ao irmão/tio e à prima, que tinha antes do namoro com Juliano, tanto carinho por Ione, voltou em pescoção às duas. Que sirva de bom exemplo; desgraça alheia não é motivo de anedota, não desejemos mal, nem nos gabemos do tombo dos outros. A vida, assim como o mundo, é redonda, dá suas voltas e, todos temos joelhos para esfolar.
-Cala a booooca, Virgínia!
-Calo nãaaaao, Aurora! calo não!


25 outubro 2013

"Não, eu não sei para onde vou, nem quando...Mas não me é indiferente de onde vim, e a tecnologia atual só me pasma, ainda mais quando pesada a rotina dos ancestrais que nos precederam... O que vê?
VEJO UM LAR, UMA FRONDOSA ÁRVORE GENEALÓGICA que alastrou galhos tão extensos e vastos que, cresceram demais para reconhecerem, dada às alterações de costumes e época, onde e quais são suas origens...As raízes se perdem de nossa memória, soterradas nos escombros que careceram, para tanto, quantas vezes, ruir com a simbologia erigida em paredes no pretérito.
Consigo sentir o cheiro da madeira e das telhas de barro acima de um telhado sem forro, e ouvir as conversações nos cômodos da casa que não segredavam as vidas uns dos outros. Sem televisor ou qualquer contato com o mundo, percebo as pessoas se comunicando à luz de lamparinas, contando casos e sobre o sucedido nas vidas de terceiros conseguindo tirar conclusões racionais, ou perceptivas à atuação do Poder Superior no qual, com maior afinco, criam, em manifestações constantes.
Consigo idealizar o penico debaixo da cama, para as noites, e a foça do lado de fora da casa, para as necessidades fisiológicas. As camas de colchões endurecidos, e travesseiros aromáticos pelas ervas com os enchia; bacias com água e os recipientes para a higiene matinal, quando não eram feitas à beira de uma bica, com grelo de goiaba e quando muito bicarbonato para os dentes, e sabão de gordura vegetal.
Sou capaz de sentir o toque das roupas de cama bordadas, costuradas à mão, e os vestidos bem cortados que as mães coziam para as missas dominicais. Consigo entender que nem todos tinham bons sapatos, ou nenhum.
Ante o cruzeiro da entrada de cada propriedade, ajuntavam-se os foliões do dia de Reis ou as mulheres que se encaminhavam, a maioria a pé, por quilômetros, para suas novenas.
Vejo e pressinto os partos difíceis, e tão fora de acesso aos cuidados médicos ausentes. A aflição por uma enfermidade filial em infantes com menos de dois anos...
É palpável a idealização dos mandiocais, o ralar da mandioca e sua colocação para escorrer, dali extraindo o polvilho para as fornadas de biscoitos e roscas. Sentindo o aroma das geleias da fruta da época, e o odor dos currais ao findar a madrugada,quando se então tirava o leite para que com o coalho fosse feito o queijo, da nata a manteiga, os doces e o café co leite...E o café, torrado na hora e coado em coadores de pano...
Ver uma construção rural arcaica é como enxergar o útero nativo, ao mesmo tempo descortinando o romper do avanço.
Quantos de nós sobreviveríamos hoje, se rompesse uma calamidade que desativasse toda nossa tecnologia? Um dia fomos filhos de sobreviventes, e hoje somos usuários da ideologia pretensiosa que nos repele quando o assunto é aprofundamento em nossa historicidade.  
É o que vejo nas ruínas de um lar outrora eficaz, para nos permitir o nascimento de uma continuidade abstrata...

Debaixo dos Caracóis...

CAPÍTULO I

 As duas irmãs já desencarnaram faz tempo. Vez ou outra ainda rondam, entretanto, o pequeno lugarejo mineiro próximo a Curral Del Rey, onde transcorreram a última passagem terrena.

 Naquela manhã ensolarada, em particular, as duas almas foram atraídas pelas orações aflitivas de uma sobrinha-neta. Como toda província, aquela também tinha seu histórico, e nele havia corrupção de valores, havia o preconceito habitual da época, houve muitos crimes passionais e escândalos que, atravessaram descendência à fora atraindo para o momento presente resgates espirituais de toda sorte. 
 "Didizinha" descende de duas das castas que de fato e direito fundaram onde hoje se denomina "distrito de Monte do Caracol". É a caçula dos 78 netos de Marcelino e Contância, pais de seu falecido pai, Eloim. A diferença de idade entre ela e os primos era absurda, entretanto, tendo atravessado a infância a visitar os antigos, enquanto o pai era vivo, cresceu sabendo de cada entrelinha da vida daqueles que hoje, a olhos vistos, definhavam os últimos sopros vitais. 
Consequentemente, Didizinha conhece a eficácia das leis naturais, que se pese as leis de causa e efeito, e as intui em atuação. Estudada e consciente do legado que o passado lhe reservou, toma, não nas costas, mas nos braços as mazelas que surpreendem a descendência de seus ancestrais. Murmúrios, fofocas e mesmo os fatos de sua vida pessoal, cercada de altos e baixos, a mantém assustada com os rumos dos parentes tanto paternos, quanto maternos; e no áice de sua amargura, pela primeira vez, pusera-se em apelo aos mortos, percorrendo as não mais de  60 a 80 sepulturas do desleixado e ressequido solo sagrado do cemitério de Monte do Caracol:
 "-Puuuuta que pariu com força! Vocês aprontam e a gente é que herda?  Clamem misericórdia, que a coisa aqui está feia, está medonha e escabrosa!  Ah neeem! Há menino de 20 aninhos comendo mulher de 40 anos casada com o primo da pai, praticamente debaixo do telhado do corno, bem de frente à casa da própria avó! Há às montas filhas e netas, de cada um de vocês,  adolescentes, dando mais que chuchu na cerca, inclusive dentre os muros da escola, as drogas já chegaram aqui no interior, e é a sua descendência se corrompendo! Não há um osso debaixo dessa terra isento de se remexer com a responsabilidade e o dever de interferir!"
 -A neta de Das Graças te puxou, hein Virgínia. - Riu Aurora.
 -Só nos palavrão, coitada, ou já tinha infartado! Ispia só procê vê do jeito que as coisas estão! Oia se a revolta dela não é justa!?! - E a balzaquiana revoltada, sem saber que estava acompanhada pelos almas dos que ela clamava, continuava a ladainha:
  "-...o passa tempo da maioria das mulheres é boicotar felicidade alheia entoando a Ave Maria, e a dos homens é passar a perna nos outros! As famílias, que deveriam dar exemplo, ensinam que quebrar as regras é normal e que a criminalidade é justificável em troca de terra e dinheiro! As terras aqui são agora lavagem de dinheiro de traficante, e a gente tem que fingir que não sabe da podridão que espalham  como se aqui fosse um esgoto a céu aberto! Cadê os pais, os avós desses merdas!? Nem o clamor do sangue fratricida que já irrigou vocês, foi ouvido? Caim e Abel marcaram território sob os escombros da vida que viveram, e vocês não fazem nada?"
 -Senhor do Bom Jesus, Virgínia do céu, ela tá espumando!
-Ocê tá vendo quem ela "invocou?"
-Oia lá, menina! Não é o turco velho?
-Finge que não viu! Vira, vão virar, virando, Aurora, quero assunto com esse homem não!
-Oia, como ele tá acabado, Virgínia!
-Saiu do raio que o parta pra baixar aqui, de cacheiro viajante, ocê lembra? Com as bugigangas no lombo de uma mula. Fincou morada e ainda trouxe os irmãos! E ó, acabou com o sossego do Morro do Caracol!Comeu a cidade toda que nem um bando de gafanhoto! Dívida, jogatina, devassidão, tudo ele trouxe na bagagem! A justiça tarda mas num falha! Ouvi dizer que ele está para reencarnar, e vai ser por aqui mesmo!- Invisível à reclamante, embora o sol a escaldasse, estrondosos trovões acompanhavam, no plano astral, o soerguimento de muitos que, ainda não reencarnados em regresso, chegavam para ouvir os queixumes daquela que era parente da maioria deles.
"-Vocês não vêem? Quem outrora se apropriou de terreno dos antigos, hoje oferece a bom preço a terra roubada dos avós para os netos, e ainda em deboche cutucam: "Esse terreno já foi de seu avô!" AAAaaaaaahhhhhhhh se aquela neta de uma puta, "que era minha avó também",tivesse falado isso comigo! Pelo útero que gerou meu pai e a mãe dela, por Deus do Céu, que ela ia levar uns safanões! Não sei qual dentre elas é a mais filha da puta. Lila, esposa do que lesou, a mesma descompensada que encera os bancos da igreja com a língua, se apossa do altar sagrado no papel de Ministra de eucaristia, e se alimenta do corpo de Cristo, ou a...cretina da Jordana! Desatinada! Ela não é evangélica? E por isso pensa que nosso avô e nossa avó estão dormindo? E Jesus Cristo pra ela está o quê então; coçando saco enquanto não chega o julgamento das almas? Imagina, uma neta se dispôr a pretender comprar para si o que de seu tio louco e de seus primos órfãos foi tomado em oportunismo ao choro e ranger de dentes de sua família! Mulherzinha besta! Nem que seja no Dia do Juízo Final, a sonsa acha que nem nesse dia não terá de encarar as feridas do desacato que tiver feito nos pais da criatura que a pariu? Ela não tem filhos também? Não vai ser, se é que já não for, avó um dia? É o quela ela quer pra si? Puuuta merda! 
 -Ô Virgínia...É do terreno do marido e do filho de Das Graças que ela está falando?
 -Uai, Aurora...Esse terreno atrás do cemitério, que foi do povo de das Graças, ocê lembra que parece que Tonico Turco largueou as divisas da cerca e se apossou do terreno? Parece que os filhos dele, e ele, partiram e lotearam, e estão vendendo...E Jordana veio ver querendo comprar.
 -Queeeem? Jordana de Das Graças?
 -É! Ocê acredita? Jordana de Das Graças!
 -Ah mas não é possível! Ela já tinha nascido quando Mundinho enlouqueceu e matou a mulher! - Virgínia suspirou.
 -E depois que ele foi preso, pelo próprio pai, e mandado ao sanatório onde morreu...Lembra o que aconteceu? Os meninos dele foram tirados de Das Graças pela família da mãe assassinada, que era de onde mesmo?
 -Ouro Preto, não é?
 -Jordana era criança, mas cresceu sabendo. O mundo é grande, o quê que ela estava caçando exatamente onde o tio desgraçou a vida dele e dos outros? Comprar terreno que foi roubado do avô! Ah não, que decepção!Mais uma decepção com os encarnados!
 -Mas a menina de Didi ainda não tinha nascido.
 -Por isso mesmo! Se ela que não tinha nem nascido, sabe que é errado, seria de se esperar que a neta mais velha, uma das poucas que conviveu com os avós, que deles teve colo e bênçãos, honrasse deles a memória e a lembrança! O quê que Jordana achava que estava fazendo, me diz?!
 -Não deve ter feito por mal.
 -Ninguém nunca faz por mal; mal a si mesmo, de caso pensado, ninguém faz; mas pensar nos outros? Jordana não pensou nos avós nãaao! Aurora, vou te contar uma coisa, o ser humano faz, fez, fazia e fará contra os outros sim, e é por isso que o mundo está desse jeito!
 -Você não lembra os desaforos que passamos quando nosso sobrinho vendeu nossas terras para o Nagib turco, sabendo que a gente não aprovava esses turcos aqui em Morro? - O olhar de Aurora ergueu-se das divisas do cemitério tentando enxergar, adiante da rodovia asfaltada, onde antes havia sido delas. Agora tá lá as nossas terras, servindo de lavagem de dinheiro e renda ilegal. Que vergonha, meu pai do Céu!
 -Nós pedimos isso né, Aurora! A gente foi cretina também, minha irmã! Eram muitos sobrinhos! Esse negócio de usufruto, de passar a propriedade em vida em nome de um só, apadrinhando safado...Quer saber? A gente se gabava quando imaginava que os outros sobrinhos não iam herdar um pé de manga ou uma jabuticabeira! Taí ó! Nenhum parente nosso come o que plantamos, mas nossos desafetos chupam, arrotam e ainda lucram! É a vida! Não poderia ter dado noutra coisa! Ao menos pagamos vivas pelo que fizemos! Das Graças pra essa menina, Jordana, foi muito boa avó! O caso dela é diferente. Era a filha de sua filha mais velha! E a neta desconsiderar isso!?
 -Muito barulho por pouco, Virgínia! Grave foi o que aconteceu conosco! Eu ainda sou sentida! 
-Sentida de quê? Fizemo coisa errada e pagamo, uai! Bão pra gente aprender não desfazer dos outros!
-Êta paixão, êh dor, saber que mesmo comigo viva Geraldo havia vendido o que era nosso pra Nagib turco! Nós agonizamos e morremos sabendo que aquilo que era nosso já pertencia a nossos desafeto, a pessoas ruins, que tinham desgraçado a cidade toda depois que aqui pisaram! Ôh humilhação...
-Quer seu terreno de volta? Vai lá, nasça no meio deles!- Debochou Virgínia!
-Ah ocê tá doida! Deus me livre e guarde!
-Seeeeu sobrinho Geraldo não tarda a vir prestar contas!
-Agora o sobrinho é só meu?
-E faça bom uso dele! Deve estar pra chegar! Não vai demorar muito no mundo mais não!Que  ele  receba o reino da glória, desde que eu não tenha de ir à casa de São Pedro nem a passeio! Se Geraldo estiver lá, prefiro o purgatório! Melhor vagar no mundo, errante, a ter de topar com esse infeliz tão cedo! Perdoei por necessidade e não por vontade! Ele não tarda a bater as botas e o que ele fez com a gente é só uma das faltas dele! Ordinário!- Avoada, Aurora limpava os cantos úmidos dos olhos, enquanto Virgínia praguejava no mundo dos mortos, e Didizinha, no mundo dos vivos. Desconversando com a irmã.
 -E por que Didizinha está xingando Lila e Jordana?
 -Por que Lila cutucou Jordana, quando Jordana foi lá ver o terreno. A própria Lila perguntou à Jordana se ela sabia que aquele terreno tinha sido do avô e do tio dela. Lila, aquela cobrinha que pra picar os outros se espreita pelas quinas da igreja! Hum! Essas hóstias consagradas que Lila meteu goela abaixo esses anos todos, com descaso ao próximo, sem caridade e humildade no coração, Deus que me perdoe, mas devia tuuuudo revirar nos intestinos dela, torcer e retorcer lá dentro em nome e honra de Jesus de Nazaré e o sofrimento que o filho de Deus passou nesse mundo, pra ela aprender a usar o nome e a casa de Deus sem seguir os mandamentos.
 -Você xinga demais, Virgínia! Como é que você sabe dessas coisas?
 -Eu só estou morta! Ainda existo! Não sou surda, minha cabeça e minha visão estão melhores que nunca! Percebo, vejo, ouço, penso, reflito, analiso, observo... 
 -E fofoca né Virgínia!
 -Fofoca é conversa inútil. E eu não teria permissão pra fazer isso! Eu sou é atenta! Fico mesmo de orelha em pé! Nessas horas é preciso saber o que está acontecendo até pra rezar melhor! Acha que vou deixar esses bandoleiros astrais chegarem e ocuparem nossas terras, apagando nossos sobrenomes, nossos costumes e nosso legado,  em troca de sobrenome de gente fracassada que só desembarcou e migrou no interior do Brasil por não ter dado nada que prestasse em suas terras natais?
-No Brasil somos todos imigrantes.
-Uns vieram por amor, outros por dor. E os que vieram por dor, só dor espalharam!
 -Você fala dos vivos como se não houvesse outras vidas!
 -Sei que há. Sei que devo ter sido muita gente antes, e serei outras tantas depois...E é por isso que fico braaaava! Imagina se eu chegar a encarnar no meio desses pervertidos morais, que não me transmitirão nada que preste?! Prefiro ser mendiga de arroz com feijão, do que mendicante da clemência de Deus pelo que eu tiver feito no mundo me vendendo! Temos de combater o mal onde o percebermos! E Morro do Caracol ficou carente de misericórdia mesmo, desde que esses turcos aprontaram na casa de João Rabelo, essa que é a verdade!
 -Cala a boca Virgínia!
 -Calo nãaaao, Aurora! Calo não.
 -Alá ó! É Dorinha está chegando!
 -Cadê ela? - E dentre os mortos erguidos, a mãe da beata, uma das tias paternas de Didizinha, sem graça, abatida, se aproximava da filha de seu irmão para asserená-la com vibrações, talvez a recorrer ao perdão pela desfaçatez da filha Lila. - Êeehhhh Dorinha...-Virgínia e Aurora se aproximaram da amiga. - Pai faz, filho come e neto morre de fome no nosso terreiro. O que a gente fez de tão errado, Dorinha? Nosso povo nem se entendia, hoje as famílias estão aí, tuuuudo um sangue só, uma só carne, inclusive com os turcos, pra ensinar a gente o que não quisemos aprender enquanto pisávamos no chão da vida.
 -E a gente fica numa situação tão difícil, Virgínia! Ôh Aurora! 
-Pois é...nossa sobrinha está chateada com sua filha e seu neto, e com razão!
-Esqueceu, Virgínia, que é MINHA SOBRINHA CAÇULA, além de sua sobrinha-neta? Não pense você que meu coração não sangra! Lila quando casou...Não tinham os turcos se desentendido com os irmãos de minha mãe? Um deles, casado com  minha tia, não havia sido morto pelos meus tios, quando foi pego espancando a esposa?
 - Ah mas aquele turco era danado, crendospai todo poderoso! Olha onde ele até hoje...Deixa pra lá!
 -Mas foi a raça de minha mãe, a raça de minha tia, que assim como a de vocês eram os pioneiros legítimos desse lugarejo, que ficou suja pelo crime cometido. Meu avô se ressentiu pelo casamento da neta, e da bisneta, com os sobrinhos do turco morto, e que levou os filhos dele a passarem quanto tempo presos. Meu avô quase foi à bancarrota, tendo de se desfazer da maior parte da fazenda para bancar advogado e cuidar dos netos, filhos dos filhos que estavam presos! Mas nem Lila nem Mariínha quiseram saber de mais nada, e o destino se cumpriu. Sangue de assassinos e do assassinado, sangue dos que foram suplantados, e sangue dos estrangeiros sem eira e beira, se misturaram...E hoje parece que tudo se repete. Netos desvalorizam dores de avós, filhos ignoram aquilo que os pais não se deram ao trabalho de ensinar, e quando no umbral alguma luz ameaça a brilhar, é brilho fosco de tristeza e lamento, como o da minha sobrinha caçula, Didizinha, neta da sobrinha de vocês duas. Deus tem seus propósitos; mesmo que a desculpa seja a amargura de uma descendente por causa de terra.
 -Uai, mas Didizinha não está assim por causa de terra!
 -Não.Só que a minha filha Lila, a neta primogênita de sua sobrinha, Jordana, meus próprios netos, um inclusive político, e os que ao redor souberem que ela se ressentiu com a venda proposta do tal terreno para os parentes do homem lesado, que era seu avô, vão chamar Didizinha de louca e implicante; ao marido de Didiznha mesmo foram oferecidos lotes...E quem ofereceu, embora seja turco, é metade ELA, metade minha através de minha filha. Meu próprio neto Carreirão! Carreirão não faz ideia da tristeza que causou na filha do tio-avô, um tio a quem ele não ouviu, um tio que sonhou pra ele um futuro promissor, e que Carreirão não deu valor, não seguiu, não realizou...Como se Carreirão não conhecesse o peso do braço de Deus quando erguido! Ôh meu Deus!São todos bestas, sem maldade, embora pensem que são espertos demais! SÓ Jesus na causa! É por mim, e minha mãe, que Didizinha segura o espraguejamento que lhe corrói a alma! Ela está destinada a passar cada situação...
-Aaaaahhhh, então é por isso...Ofereceram pro marido dela as terras do avô!
-Justamente! Didizinha de imediato repudiou a oferta que Carreirão fez ao marido dela; por amor aos avós que nem conheceu. E quando soube que a prima havia se interessado na compra, e pior ainda, quando soube que Lila cutucara a prima materna...Didizinha ficou entre a cruz e a espada. Uma, a que cutucou, sobrinha de seu pai, e Jornada, "cutucada", também sua prima, sobrinha de sua mãe.Uma sobrinha que, na visão de Didizinha, agiu mal. 
 -Só mesmo a fé na vontade do altíssimo para nos fazer aceitar Didizinha ter voltado, e casado aqui.
 -Aaaahhh se a mãe dela fosse viva!
 -Era pra ser assim. E o rapaz, neto de minha irmã, é bonzinho.
 -Mas as irmãs dele não têm consciência! Que mulherada  esquisita e mal agradecida! Quanta beleza por fora..."por fora bela viola, por dentro pão bolorento"! Cruz credo! Deus me livre! Uma delas é igual sua filha, Dorinha! 
-Qual delas?
-A madrinha de Juliano!
- Reza, bate boca com terço e rosário, mas com o mal nas veias, acha que está debaixo do manto da mãe santíssima, e de lá dispara maldade, como se Nossa Senhora Aparecida não percebesse seus intentos! De quê adianta ir a Aparecida do Norte todo ano em romaria e não ser capaz de adestrar boca, pensamento, atos e coração? Com o neto a morte, Didizinha ajudou tanto, rezou tanto...E hoje se depender dela a filha de Didizinha cresce sem pai, por que se deixar ela separa Juliano e Didizinha com a língua dela! -Virgínia azedou ainda mais o semblante. - Esse povo é esquisito sim!
 -Não devemos julgar, sabe disso, Virgínia!
 -Ora, Aurora! Dorinha, quando a gente vem numa família, a gente sabe que é pra passar provação que a herança do corpo, e dos feitos do mundo, põem lá pra gente! Tô mentindo Dorinha?
 -Está não.
 -Pergunto: Tem herança pior que essa nossa? Herança de maldade, futrica, hipocrisia e leviandade?
-E que família é diferente?
-É triste a gente ter de ficar por aqui assistindo, sem nada poder fazer por esse bando de emprestáveis! Sim, porque como espíritos são dignos de evolução, mas enquanto matéria são corrompíveis demais da conta! Passam dos limites! Oia aí! Essa menina, hoje com quase 40 anos não teve família quando ficou órfã! Nem a cretina da beata que é sua filha Lila, nem nossos sobrinhos, tios e primos dela, poucos dos que muitos que já eram maduros,  ninguém estendeu um prato de comida, uma voz amiga, um abraço dos vivos! Quantas vezes foi seu avô Dorinha, ou mesmo uma de nós a envolvê-la com oração, e olha, é ela, a caçula, a invejada, a estudada, a que se sobressaiu e poderia ter ganhado o mundo, é exatamente ela que voltou e chora pelos que quiseram seu mal, toma as dores daqueles a quem as dores dela sempre foram indiferentes, ou motivação de contentamento, é ela quem sofre a ponto de abrir os portões da morada dos mortos pedindo intercepção! A que ponto se chegou! A ponto de uma descendente, que nada possui dos ancestrais, além de um nome na certidão de nascimento, ter por seus mortos mais respeito do que aqueles que pedindo bênça, tiveram quantas vezes por resposta "Deus te abençoe"! O pago da nossa descendência dói demais!"
 -Virgínia, os genes do clã que vocês pertenceram, e que Didizinha herdou, é um clã avançado, com linhagem direta aos filhos de Jacó, daí pautarem tanto a ética, o escrúpulo, o respeito, quando os espíritos que em tal sanguinidade encarnam a tais preceitos se comprometem a seguir, mas aqui esses valores são cifras que a maioria não dispõe ainda, e não conhecendo, nem tendo, como haveria de usar? Há muito a ser contado, quer seja sobre as razões de Didizinha se exaltar, quer seja sobre as emboscadas que ela enfrenta, e mesmo sobre as razões de estarmos aqui...
-Entre saber, entender e não poder agir há um grande abismo. E tentar cruzar esse abismo custa caro demais, mas, e se for a ação necessária para uma nova chance a nossos descendentes?
-E se ao agirmos provocarmos um mal maior?
-E se nada fizermos?
-Como nada? Podemos Virgínia, podemos orar e intuir aos que estiverem em sintonia com nossas vibrações!
-Quantos estarão?
-Se intuirmos a  Didizinha ela endoida! Não vai aguentar a pressão!
- E ocês se deram conta de como o cemitério tá enchendo? - Dorinha baixinha e franzina olhou a seu redor, reparando o comentário da dócil Aurora.
-Ela nos queria ouvindo e orando. Os que tiverem permissão para tanto se juntarão a nós, Aurora.
-Se ela pudesse nos ver...Saberia que não está sozinha!
-Ver ela não pode, mas nos pressente; sabe que está em casa; vê como anda jeitosa,se assenta com carinho nas beiras dos sepulcros, para não nos pisar ou ofender?
-Ela já se pareceu muito com o pai, mas a idade trouxe à tona os traços de nosso povo, não é Aurora?
-Mais que os traços, a personalidade também. Deus a guarde!
-Por hora as convido a orarmos. Nossa parente precisa de nós, para evitarmos que a tristeza e o rancor, pela falta inconsciente das duas primas, uma Lila minha filha, e a outra, Jordana, sobrinha de vocês a envenenem...Didizinha não gosta de viver, não aprecia o mundo, é apegada aos que já foram, e muitos deles a ela. Peçamos a Deus para que ela tenha resignação e força, a fim de cumprir ela própria, seu destino. Se queremos mudar o futuro, pensemos juntas, e com o apoio de Deus, a inspiração correta para apascentarmos as ovelhas de nossas casas, surgirá. Oremos.
"Três almas de terço entre as destras, à dianteira de outras tantas almas, que aos poucos se apresentariam, fizeram o sinal da cruz e todas elas, almas benditas guardiãs de sua gente, verteram suas orações!
  Assim que Didizinha saiu do cemitério uma tromba d'água repentina e breve apascentou o calor...Os céus, reconhecendo um coração caridoso, lavou suas dores para que a cura se iniciasse. Assim age o Criador, em permanência e silêncio, obrando a evolução gradativa de caso a caso, e tudo a seu devido tempo!"

23 outubro 2013

Textos Sagrados, Descobertas Recentes e as Dúvidas atemporais...

"Evangelho significa REVELAÇÃO."
Está certo.
Quando na atualidade nos referimos a REVELAÇÕES, idealizamos a descoberta fantástica do inusitado, do improvável e impensado. Mas não vem sendo assim.
As revelações de hoje nada mais são que as mesmas do ontem, entretanto, observadas com maior acuidade e por um prisma diferente.



Lendo CÉU E INFERNO de Allan Kardec, poderia jurar que estava absorvendo conhecimentos recentes  da historicidade do espiritualismo e do espiritismo em si. Está lá a descrição dos deuses anteriores à vinda de nosso amado Cristo, e vasta explicação da simbologia dos Campos Elíseus e do Hades, concedendo-nos estruturado aparato para avaliarmos as razões para ter sido inserida e mantida a modelagem "pagã" na concepção do CÉU E DO INFERNO da cristandade.



 Há explanação da aplicação de dogmas e paradigmas comparativos entre o Deus cristianizado para com o Deus único, supremo, superior a encabeçar as crenças esparramadas pelo mundo primitivo à fora. Houve junções, paralelos entre Jesus e personagens míticos, a fim de promover melhor a aceitação dos preceitos trazidos pelo filho de Deus enquanto de sua passagem pela Terra. (Conceito de Trindade familiar, "temos Osíris-Isis e Horus no velho Egito dentre outros nos papéis de pai, mãe e filho respectivamente", a necessária figura feminina  inserida ladeando Cristo, em representação às várias facetas do feminino na natureza; "se o pai esteve sempre no céu, à Terra chamamos de mãe;" Mãe-Terra pelos celtas etc).





Revelações? Leiam e pensem se há revelações no que penso:

E Deus (ou deuses, de acordo com a correta leitura textual da bíblia) fez (fizeram) o homem à sua imagem e semelhança. Como ficaria o macaco nessa estória? Não fica! Há menção no sopro da vida, no intelecto desenvolvido e inserido à genética humana. Inda que sejamos parentes, a espécie se distinguiu em bipartição aí, bem nesse ponto! Tanto assim que, embora transcorridas quantas eras, não se verifica na História menção alguma de macacos desenvolvendo suas capacidades a ponto de se nivelarem a um ser humano. Onde fica nosso parentesco com o King Kong? Houve evolução da espécie humana; por qual razão não teria havido um avanço significativo nos líderes do épico Planeta dos Macacos?








Há revelação? Não. Há interpretação e questionamento de um simples trecho retirado de um livro que deve ser avaliado como uma obra de contexto bem mais abrangente que o religioso! A bíblia, quer seja um condensado de estórias das quais se apossou o povo hebreu ou não, carrega uma contextualidade, carrega em si o peso de ser um dos maiores e melhores narradores da ascendência e ancestralidade do mundo pós diluviano.
Acaso aceitemos ligar o interruptor de nossas mentes, que é a racionalidade operante, Céu e Inferno, Bíblia, Torá, Alcorão, textos asiáticos e indianos, enfim, serão revistos com a lucidez que carecemos para montar o "nem tão conturbado" quebra-cabeças do legado do qual dispomos e tão pouco usufruímos.
Leiam, releiam, reflitam, repensem, reajam às contínuas manifestações do Eterno em nossas vidas e no mundo como um todo, e seremos então dotados da plenitude sapiente necessária para darmos tchauzinho sem medo aos OVNIS que transitam os céus sem fronteiras, asas de penas de ganso aos nossos astronautas, capacetes a nossos anjos, e a ambos a carona confortável de carruagens aladas que dispensarão cavalos, serpentes e dragões.
"MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO!" "A casa de papai tem várias moradas!" Podemos sim, portanto, sincronizarmos descobertas arqueológicas com evidências do trânsito alienígenas espacial e o conhecimento espiritual cada vez mais em foque! Somo quem somos; matéria e espírito. A matéria pertencendo ao mundo, regressa ao pó, mas o espírito, o sopro vital, condicionado à eternidade, deverá regressar à morada eterna, aspirando por ela, e para chegar até lá, passando estágios necessários, inclusive de vida, morte, reabastecimento e renascimento. Deve haver, sem dúvidas, planos intermediários, ocupados por seres amparadores, educadores em vigília para o patrocínio de nossa interação e evolução gradativa com os seres superiores. Certa ou errada, gosto de "viajar nessa maionese". O tombo me parece bem menos doído, ou doido, que a visão de uma vida sem sentido, com um passado e um futuro tão ricos, e que nos seria ao mesmo tempo, ante a insignificância de nossos feitos, tão miserável.








"Viver bem é possível; existir bem é o essencial!"
"Não anda? Mas observa! Não ouve nem fala? Mas vê e percebe! Não enxerga? Mas entende que está vivo e dividindo a existência ladeado de outros seres; somos todos capazes de distinguir BEM E MAL, BOM E RUIM! Ser diferente não implica em ser inferior, tampouco impede de optar em fazer, ou não, uma boa diferença. A cordialidade humana não pede, não depende da perfeição física, apenas de vontade, da Boa Vontade!" 
"Os caminhos do homem podem parecer A ELE clandestinos, tratando-se, todavia, as elevações e os percalços, de maneiras previamente avaliadas pelo Criador para que valoremos a criação em totalidade. Caso saibamos aprender, lidar e seguir as leis naturais, descansaremos asserenados sob o resguardo do Altíssimo!"
"Que sejamos capazes de quebrar as maldições, de extirparmos os espraguejamentos, de eliminarmos o mal que nos corrompe, geração após geração, e que a alvorada de cada dia, que o início de cada semana, mês, ano, século ou milênio, desperte a força necessária para a manutenção de nosso caráter, a mansidão indispensável ao espírito, a eloqüência intelectual e o equilíbrio emocional tão almejado pelos homens para que possamos subsistir."
"Há os que nascem para serem honrados, os que nascem para serem amados ou temidos; e há aqueles que nascem com a árdua tarefa de apenas fazerem a diferença!"

"Das maravilhas de se viver, a melhor, sem dúvida, é desbravar fronteiras, a começar dentro de nós mesmos!" 
"Mágoas guardadas formam um arsenal perigoso, contrário tão somente àquele que o carrega. Desprenda-se do ressentimento para que sua cavalgada rumo a paz interior seja mais célere...E PLENA!" 
"Aquele que desconhece a razão de ter nascido, pode, inda assim, ESCOLHER UMA BOA RAZÃO PARA SE VIVER E MORRER!" 
"Quando de frente aos resquícios pretéritos, reverencie e honre sua jornada, tenha se dado ela onde for. Nas lutas da vida não se ganha todas as batalhas, porém, é das derrotas que mais proveito se tira para a vitória final." 
As idiossincrasias devem ser respeitadas! Seja qual for seu credo, seus princípios, atente-se ao fato de que somos unos, personalíssimos, e que condutas robóticas, textos ensaiados, fazem da existência um teatro, conquanto o sentido da dramaturgia da vida, do destino, seja o livre arbítrio, portanto, o improviso. Regras são necessárias para a condução, não para a sujeição do pensamento e dos atos de ninguém. Viva pelo bem, VIVA BEM, com D'us por guia e a caridade por leme; assim esmurrará preconceitos, alterará linguagens e viabilizará avanços! Sempre foi assim, sempre será! 





"O verdadeiro amor, sob nenhuma circunstância, permite que o ente adorado se sinta esquecido. O amor é boa companhia, permanece a seu lado, inda que ausente."
"Há quem não valorize o que tem, o que a vida dá, as pessoas ao redor, as portas que se abrem e o mundo que as cerca; e permanecem sentadas contemplando paredes mofadas, emburradas porque as janelas estão emperradas, não possuem o que querem e não são como gostariam de ser. São pessoas que sequer sabem o significado, a importância, de uma oportunidade, principalmente se e quando perdida." 
"Bravo, Grande, Radical é o ser humano que peita a vida de frente sem prejudicar a terceiros, sem zombar do mais fraco, sem infringir as normas dos homens ou as divinas. Bravo, Brutal, Radical, Grande e Fóda será o insano, sarcástico, tolo e pretensioso humano que conseguir singrar vida e morte sem prestar contas ao umbral...de sua própria consciência. E para as consciências mundanas há um justo guardião!"

KARDEC SOBRE A POSSIBILIDADE DE REVELAÇÃO DE NOSSAS VIDAS PASSADAS:
CapXXVI, 290, pergunta 15: quando para a edificação e instrução, a revelação é espontânea e imprevista, e jamais para a satisfação mera de curiosidade.
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"Afirmo que, o universo é matemático, e somos a somatória de nossos atos. Observe sua vida, dê atenção a seus rumos, às pequenas empreendas cotidianas que se lhe dispõe o curso do destino e será capaz de ter ao menos uma vaga ideia da personalidade de outrora. Atente-se às provas, aos questionamentos íntimos que o levam a pressentir a instrução e os instrutores que o acompanham. Perceba as tentações que se lhe induzem escapatórias e subterfúgios ao recolhimento inexplicável. Verifique como procede ante a situações familiares, políticas, amorosas, religiosas...Temos sim como nos encontrar, mas nem sempre é conveniente. A amnésia oportuna tem lá suas razões. Silencia sua curiosidade e permita à Orbe superior obrar em seu favor e de toda humanidade." - Flávia Neves.
"A reputação de um homem é seu maior patrimônio. Proteja o futuro com a vigília de seus atos; são eles os indicadores do caminho opcional entre bem e mal que possa ter percorrido!" 





"A vereda pode até parecer solitária, mas, nem por isso desprovida do indicador dos rumos apropriados. Agir bem é garantia de amparo contínuo!" 

"Enquanto a noite não chega, resplandeça o dia com seus atos; sê produtivo e vigilante às ações e omissões praticadas. E, enquanto a madrugada não termina, adormecido se permita, então, orientar pela aspiração superior, convicto de que embora o HD espiritual não permita à memória corpórea a lembrança, terás atravessado vales encantados, cercado pelos entes que o coração reivindica e a saudade, inda com contida, clama!" 

Asserenada a rotina, entreguemos nosso adormecer às forças regeneradoras espirituais, que nos lembram, através do encantamento dos sonhos, de nossa realidade vívida.